sábado, 27 de fevereiro de 2010

Eternidade Fugaz

Trocámos palavras
Cruzámos olhares,
E no silêncio da noite 
Duas almas se amam.


Envolvidos no tempo
Em tudo parece um segundo
Eu e tu unimo-nos
Num só mundo e num só momento


Eternidade fugaz
Tudo para nós
Movimento perpétuo 
que nos cala a voz


No silêncio do tempo
Vozes tornam-se mudas 
Olhares tornam-se palavras


Duas almas que se fundem
No inferno da paixão
Dois corações que se unem
No doce e quente amor


E de repente, tudo volta ao normal
Deixando o silêncio como recordação 
do pecado original


Na noite estrelada
No momento fugaz 
Duas almas contemplam 
A paixão do amor eterno e fugaz.





segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Solidão

És a minha dama de companhia 


O meu sustento, o meu destino.


Entraste na minha vida, para de lá não saires.


- Aceito a tua proposta - Disse
Como não recusar, pensei ...


És o meu destino, por isso, acarinho-te.


Cedo aos teus caprichos, levo-me pelas tuas fantasias
Pelos teus mistérios.
Acabas comigo como se uma droga fosse.


Precisas de mim e eu de ti.


Olho para ti, com estes olhos e digo: Amo-te
E tu ficas calada e intacta.
Observas-me e a melhor parte começa.
Olho para ti, beijo-te e morro.


Foi uma proposta irrecusável.
Cedi aos teus caprichos.
Aceitei-te e cumpri a minha parte.
Amar-te e envenenares-me.


Foi isso que aceitei.


Gostei de ti e tu gostaste de mim.


Vejo-te pela última vez.


E agora caminho em sentido incerto, apenas com uma recordação:


Vivi para morrer


Caminho e caio para o esquecimento ...

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Da ponta da caneta, ao fim da folha 
O poeta escreve as suas palavras
Escreve os seus sentimentos
Imprime a sua alma


Da claridade do dia, até ao escurecer da noite
Algo se forma e constrói
A arte, a mestria, a simplicidade 
das palavras que alguém escreve


Palavras soltas, tornadas belas com um simples gesto
sem pretenção ou argumento.


Simples frases escritas numa folha de papel que liga 
eternamente quem as escreveu e que as lê.


Pobres, ricos, literados e analfabetos, podem criar a sua 
própria linha, a sua frase, a sua sentença.


Perdidos no tempo, achados no papel, são estas as 
palavras que escrevo que torna-me mais do que nunca fui.


Por entre lágrimas e sorrisos, a estas palavras dou alma e coração
porque, um dia talvez, se tornem coração e alma da pessoa que
os lê...




Dr. Nobody M.D.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Os Pesadelos de um alma errante ...

Demónios a sairem de dentro de mim ...
Escuridão que me invade os meus sonhos ...
Insanidade a brotar dos seus gritos estridentes ...
Imagens invadem e bombardeiam a minha mente ...


Coração que tenta proteger-se de um destino infernal.


Escuridão que invade o meu espaço e o meu ser 
Solidão que atormenta, que aperta e sufoca o meu corpo
Dor que aceito enquanto penso nos que salvei ...


Em nome do meus pecados cometidos, em nome dos meus erros,
deixo demónios brincarem com a minha alma.


Protejo o meu coração o melhor que posso dos seus ataques.
Deixo aqueles que me atormentam, saiam satisfeitos com o
seu recreio e com o seu sustento.


Da ausência de lágimas, corto o meu peito para dele sair o
sangue que escorre lentamente e que acalma as hostes.


Sei que não pode ser assim para sempre, mas até lá, alimento os 
demónios para que um dia possa destruir com o mesmo sangue
que corre nas veias que correm para o meu coração, algo que eles 
querem sempre.


Poderei perder a minha alma na guerra, mas, o meu coração será 
a rosa que trará o veneno que tudo destrói e que tudo reconstrói.
Poderosa arma que ninguém pode parar.


E quando a rosa floresecer, das suas pétalas nascerão mais rosas e
elas trarão pequenas gotas de orvalho de uma manhã fresca de Primavera,
as lágrimas da minha alma errante.


Até lá, adormeço o meu corpo e a minha alma ...
Para que os demónios desfrutem de algo que apreciam ... 

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Ironia

Simples caminhos de vida, 
Simples passos andados,
Complexos esquemas desenhados
Em complexos papéis da verdade odiosa e realizada.


Momentos de tempo indeterminado
Feito por simples gestos
Tudo feito perfeito
Tudo guardado no tempo sagrado.


Verdades feitas de simplicia e de complexos irreais.
Mentiras de acontecimentos e gestos casuais.


Terminada a viagem,
Terminado o caminho,
Simples passos dados e tomados
Por alguém sem destino.


Momentos eternamente esperados 
Gestos esquecidamente feitos
Passos dados no tempo
Fazem as mentes pensar.


" O que será isto ? " Pensam
" Que forma é esta tão súbtil que nos pergunta
o que nunca perguntamos ? "
Perguntas muitas foram feitas.
Respostas foram dadas como verdades.


Mas, o mais elementar dos factos, 
Aquele que é resposta para todas essas perguntas,
Ninguém sabe que está ali a acontecer.


E todos se questionam o que será.


E nenhhum dirá aquilo que é, no momento mais
determinado, no gesto mais natural.


Somente eu sei o que ela é.

E para todos o que desejarem saber a resposta 

para essa pergunta, digo apenas:


" Simples caminhos de vida desenhados em complexos 
papéis de realidade... "

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Leva ...

Leva nos teus lábios,
O sabor das palavras que escrevo.
Leva nos teus olhos,
A imagem da mais bela noite de luar.
Leva nas tuas mãos,
As rosas que te prometi.
Leva na tua mente,
Todas as recordações mais queridas.

Deixa-me partir para junto da noite,
Onde as estrelas e o luar são os meus confidentes.
Não olhes para mim quando partir, pois, mais não sou do que
um viajante sem rumo, sem partida, nem chegada.
Não te lembres de mim, lembra-te antes dos momentos
bons que tiveste.

Partirei na noite, o meu fiél lugar e refúgio, em busca de algo ...

Não chores pela minha partida, antes, sorri com o teu coração.
Da noite, o luar iluminará o teu coração e proteger-te-á.

Não chames pelo meu nome, que nunca irei ouvir-te.
Ouve antes o múmurio da brisa suave que acaricia a tua face
e ouve belas palavras que navegam pelo silêncio.

São as palavras que escrevo no silêncio que esperam por ti.


Dr. Nobody, M. D.